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sábado, 14 de dezembro de 2013

Toda a informação sobre Hérnias Discais

"Na minha coluna não se toca porque tenho hérnias discais"

Não raras vezes ouço esta afirmação, o que me coloca perante um dilema, será que elucido esta pessoa colocando em risco a minha credibilidade? Será que explico que a ciência não tem permanecido estática nos últimos 30 anos? Será que ponho em causa a autoridade superior médica que lhe disse isso, mostrando que infelizmente há profissionais de Saúde que vivem parados no tempo e não acompanham o desenvolvimento da ciência?

Desta vez decidi fazê-lo: Permite-me discordar, mas na sua coluna deve-se tocar precisamente porque tem hérnias discais.

Esta minha resposta, para ser credível, tem que ser acompanhada de uma explicação, que vou dar precisamente nesta publicação. 

Quero referir que esta publicação apenas me revê a mim em especifico, não podendo rever o trabalho de outros profissionais de Saúde, nomeadamente outros osteopatas. Ou seja, o tratamento que vou propor em seguida para as hérnias discais pode ser praticado por mim, desconheço se outros profissionais de Saúde em Portugal têm conhecimentos para o aplicar.

A nossa coluna é constituída por diferentes ossos que se chamam vértebras, e entre as vértebras existem os discos intervertebrais. Estes discos têm uma função ativa nos movimentos corporais, absorvendo o impacto e fazendo uma correta distribuição do peso ao longo da coluna.

Os discos intervertebrais estão constituídos por 3 estruturas: interiormente temos o Núcleo Pulposo, em volta do núcleo temos o Anel Fibroso, e a revestir a parte superior e inferior do disco temos as Placas Terminais que ficam em contacto com as vértebras.

Genericamente considera-se hérnia discal quando há um deslocamento do Núcleo Pulposo através do Anel Fibroso.

Na nossa coluna temos uma zona Cervical, uma zona Dorsal (ou Torácica), uma zona Lombar, e uma zona Sacral. A zona Cervical inclui o Occipital que é um osso que já faz parte do crânio, abaixo do Occipital temos a Cervical 1 (Atlas) e depois a Cervical 2 (Axis) - entre estas 3 estruturas não existem discos intervertebrais, logo não podem existir hérnias aqui.

Uma situação com a qual já me tenho deparado várias vezes, não só eu, mas também outros osteopatas, é as pessoas virem com relatórios de exames onde lhes está diagnosticada hérnia discal em C1-C2, o que é descaradamente falso.

Na zona Sacral não existem discos intervertebrais, porque as vértebras estão fundidas, o ultimo disco é o que fica entre a Lombar 5 e a primeira vértebra sacra.
  
Teoricamente nas restantes zonas ao longo da coluna poderíamos ter hérnias, mas na prática as hérnias discais são mais frequentes a nível Cervical e Lombar.

Na zona Dorsal a coluna tem uma curvatura fisiológica que se chama Cifose e é côncava para a frente. A amplitude dos movimentos da zona Dorsal também está mais limitada, esta zona da coluna é mais estável, logo a formação de uma hérnia nesta zona é pouco frequente e normalmente só acontece devido a traumatismos.

A zona Cervical e Lombar deveriam de ter uma curvatura fisiológica chamada Lordose e que é côncava para trás, havendo assim uma correta distribuição da pressão ao longo dos discos intervertebrais, permitindo uma normal amplitude dos movimentos corporais. Mas frequentemente isso não acontece (devido a vários factores), essa Lordose começa a desaparecer e vai-se criando o que se chama de Retificação, a amplitude fica limitada e começa a haver mais pressão sobre os discos, deixando estes mais suscetíveis à formação de hérnias. 

A formação de hérnias pode dar-se pelas seguintes causas:
  • Alimentação incorreta;
  • Hábitos posturais incorretos;
  • Movimentos repetitivos incorretos;
  • Sedentarismo;
  • Idade avançada;
  • Traumatismo;
  • Movimento brusco;
  • Movimento contrário às leis da biomecânica vertebral;
  • Queda das vísceras.

Existem outras causas menos frequentes relacionadas com desordens genéticas, ou ainda problemas emocionais.

O que existe na grande maioria das vezes é uma junção de diferentes causas. Por exemplo, a pessoa faz uma alimentação incorreta, provocando que haja um mau abastecimento nutritivo, o que origina que o disco comece a degenerar e começam-se a criar fissuras no Anel Fibroso, um dia a pessoa faz um movimento brusco, e o disco como tem a sua capacidade enfraquecida, cede, originando a hérnia discal.

Outra situação que ocorre com frequência é quando a pessoa leva uma vida sedentária em que faz pouco exercício físico, e mesmo o pouco exercício que faz não é o mais correto. Os músculos ao longo da coluna começam a ficar tensos e com contraturas, o que origina novamente uma má nutrição dos discos, isto porque os discos não são vascularizados, eles nutrem-se através das estruturas vizinhas, e quando estas não estão bem os discos começam a degenerar. Os anos vão passando, o Anel Fibroso vai enfraquecendo, e o Núcleo Pulposo aos poucos e poucos vai saindo, sem precisar haver um traumatismo ou um movimento brusco.

As hérnias discais têm várias classificações, vou começar por classificá-las de acordo com o tipo de hérnia:
  1. Hérnia Contida: quando o Núcleo Pulposo se começa a deslocar através do Anel Fibroso;
  2. Protusão Discal: o Núcleo Pulposo avança até à parte exterior do Anel Fibroso, deixando o disco ligeiramente saliente;
  3. Extrusão Discal: o Núcleo Pulposo rompe totalmente o Anel Fibroso ficando exposto;
  4. Hérnia Emigrada: após romper totalmente o Anel Fibroso e ficar exposto, o Núcleo Pulposo é derramado;


  • Hérnia por esmagamento: podemos ainda considerar este tipo de hérnia - é um conceito que existe no meio osteopático, considera-se quando ocorre um esmagamento do disco (que normalmente sucede por uma queda das vísceras), vai originar uma diminuição do tamanho vertical do disco, aumentando o seu diâmetro, e ficando este mais saliente em mais do que uma parte, ou seja podemos ter duas Protusões ou Extrusões no mesmo disco.

Outra classificação que considero relevante é relativo ao local em que surge no disco (esta classificação não se aplica à Hérnia Contida):
  • Hérnia Posteromedial: forma-se centralmente, ou seja, na extremidade posterior mas a nível médio;
  • Hérnia Posterolateral: quando a hérnia já descai mais para um dos lados;
  • Hérnia Foraminal: a hérnia forma-se novamente a nível posterior mas mais lateralmente que a Posterolateral, ficando exposta sobre a abertura que há entre a vértebra superior e inferior do disco;
  • Hérnia Extra Foraminal: ainda é mais lateral que a anterior e está exposta para lá da abertura entre a vértebra superior e inferior do disco. 

Basicamente vai ser a localização da hérnia que vai determinar a sintomatologia. Quer a sua localização ao longo da coluna, como no disco.

A hérnia pode estar a comprimir uma raiz nervosa, ou pode estar a comprimir a medula. O LVCP (ligamento vertebral comum posterior) normalmente é sempre afetado. A dor pode ser localizada, como pode ser reflexa ao longo dos membros. Pode ainda provocar um adormecimento em determinada zona, ou outra qualquer sensação reflexa. A falta de força em um dos membros, ou nos dois, também é um sintoma caraterístico. Disfunções orgânicas também podem ser um sintoma de hérnia discal (problemas nos diferentes sistemas do corpo). 
A pessoa pode apresentar ambos os sintomas, como pode apresentar só um deles, pode até nem apresentar nenhum sintoma. É tudo muito relativo e complexo, por isso é fundamental uma boa avaliação para saber qual o método de tratamento mais eficaz. 

É importante perceber que a pessoa pode apresentar todos estes sintomas mesmo sem ter hérnia discal, porque estes sintomas ocorrem devido à inflamação das estruturas em volta (e por vezes também do disco): ligamentos, músculos, tendões, e elementos nervosos (um destes elementos é o nervo ciático, que quando está inflamado origina o que é vulgarmente conhecido como dor ciática). E essa inflamação pode dar-se devido a outros fatores, aliás, as causas de dores nas costas são imensas.

Através da Osteopatia deteta-se com exatidão o segmento nervoso que está inflamado, e é possível detetar o grau de inflamação desse segmento. Quando se desconfia da existência de hérnia discal a pessoa deve sempre realizar um exame complementar de diagnóstico.

Os exames complementares que mais usualmente se realizam são:
  • Radiografia: permite-nos ter uma ideia do estado da coluna, e fazer um despiste de outros problemas, mas não serve para verificar a existência de hérnias discais; 
  • TAC: já deteta a existência de hérnias discais;
  • Ressonância Magnética: deteta também a existência de hérnias discais e mostra-nos com mais exatidão o estado dos discos e da medula.

Quando a pessoa apresenta uma deficiência motora, por exemplo, não ter força numa perna e arrastá-la já por vários meses ou anos, deve ser feita uma Electroneurografia, e só com o resultado desse exame é que eu sei se há hipótese de a pessoa recuperar ou não, se o nervo já está irremediavelmente lesionado, ou se ainda pode ser recuperado.

Na Medicina Convencional o tratamento inicial passa pela ingestão de fármacos (por vezes infiltrações) para alivio temporário dos sintomas e repouso. A Fisioterapia também é uma opção, e quando os sintomas não melhoram ou agravam então o passo seguinte é a cirurgia.

Os procedimentos cirúrgicos são vários, vou só descrever os que conheço, e não vou usar os nomes técnicos:
  • Remoção da parte herniada do disco;
  • Remoção total do disco;
  • Aumento da abertura que há entre a vértebra superior e inferior disco, pode ser mesmo removida uma parte da vértebra. Este aumento da abertura faz-se porque é nesta abertura que passa a raiz nervosa;
  • Aplicação de determinadas substâncias no interior do disco, umas com o objectivo de recuperar o disco, outras com o objectivo de destruir o Núcleo Pulposo.

O que acontece muitas vezes após as cirurgias que referi, é ter que se voltar a fazer uma nova intervenção para se fixar as duas vértebras em causa (superior e inferior do disco), porque uma vez que o disco já lá não está, ou uma vez que se retirou parte da vértebra, toda aquela zona perde a estabilidade, e se não for estabilizada os sintomas não vão ser os desejáveis.

O meu tratamento das hérnias discais começa por uma avaliação que vai logo definir se é possível haver tratamento manual, ou se o tratamento terá obrigatoriamente de ser cirúrgico. No caso de termos uma Hérnia Emigrada o tratamento é obrigatoriamente cirúrgico. Se estivermos perante uma Extrusão Discal, de acordo com o local do disco em que se tenha formado a hérnia, e de acordo com as estruturas afectadas, poderá ser ou não recuperável sem cirurgia. No caso da Protusão Discal e da Hérnia Contida, regra geral consegue-se recuperar sem cirurgia.

Depois de se classificar a hérnia, continua-se a avaliação, para encontrar a origem do problema. Se origem do problema estiver numa má alimentação, é preciso alterar-se a alimentação, se a origem estiver numa vida sedentária, é preciso alterar o estilo de vida. De acordo com a origem do problema a pessoa deve alterar as suas rotinas. Por fim termina-se a avaliação por ver as estruturas músculo-esqueléticas afetadas no corpo. 

O meu tratamento vai incidir precisamente sobre essas estruturas, fazendo uma correcção total da estrutura da pessoa. Trabalhando sobre o tecido Conjuntivo, sobre os músculos, ligamentos, e ossos.

Todo este trabalho não é só feito por mim, mas requer uma participação ativa da pessoa, que deverá todos os dias fazer exercícios específicos para o seu problema, e quero voltar frisar, deverá alterar as suas rotinas incorretas, rotinas estas que levaram a produzir este problema.

Quando a estrutura se começa a equilibrar, deixa de haver a tensão muscular e fascial em volta da hérnia, já é possível fazer-se um alinhamento ósseo das vértebras, o que vai aliviar a pressão à qual o disco esteve sujeito todo este tempo. 

Começa assim a haver uma recuperação do disco, o que pode originar que a hérnia se vá reabsorvendo. Ou no caso de ela não se reabsorver, pelo menos deixa de estar em contacto com as estruturas nervosas, e assim produz um alivio duradouro dos sintomas.

Estes resultados podem ser confirmados não só pela melhoria e desaparecimento dos sintomas, como também fazendo-se novamente um exame complementar, onde se pode ver sem qualquer dúvida, a diferença entre o antes e o depois.

Para se obterem estes resultados é preciso tempo e dedicação, tempo esse que varia de acordo com a origem do problema e com a cronicidade do mesmo. Mesmo depois de a pessoa se considerar estável, já mais deveria regressar às suas anteriores rotinas, correndo o risco de voltar a acontecer o mesmo.

Existem vários estudos, realizados em vários países, e que podem ser facilmente encontrados em pesquisas na Internet, demonstrando a eficácia das cirurgias às hérnias discais. Basicamente conclui-se que quando não há outra opção, a cirurgia é um sucesso. Mas quando se operam hérnias que não precisavam de ser operadas, os resultados não são os desejáveis. Isto porque as estruturas em volta acabam por ficar comprometidas de forma mais ou menos agressiva, de acordo com o método cirúrgico pelo qual se optou. Desenvolvem-se sempre aderências, a biomecânica vertebral é alterada, isto já para não falar nos efeitos das anestesias. 

E temos outro aspecto que é a eficácia a curto, a eficácia a médio, e a eficácia a longo prazo. Mesmo uma operação que tenha sido um sucesso a curto e médio prazo, não impede que a pessoa venha a desenvolver hérnias a longo prazo. Mesmo depois de a pessoa ser operada, e mesmo que a operação tenha sido um sucesso, deveria de recorrer à Medicina Manual, para fazer uma correção da sua estrutura, e para perceber quais são os hábitos, e quais são as posturas que levaram a que se forma-se a hérnia discal.

Por isso eu costumo dizer que passar pela cirurgia pode não ser necessário, mas todos os casos deviam de passar pela Medicina Manual.

Voltando à citação no inicio da publicação, aquelas ideias que são ensinadas a muitas pessoas que têm hérnias: que não podem fazer nada, que têm de aprender a defender-se, que têm de esperar que piore para serem operadas, que nunca deixem ninguém tocar-lhes aí... Estas ideias estão totalmente ultrapassadas! Actualmente já existe resposta eficaz na Medicina Manual para as hérnias discais.

sábado, 2 de novembro de 2013

Traumatismos

"Deixou-me de doer, já estou bem!"

Será que não ter dor é sinónimo de estar bem?

Infelizmente não, a ausência de dor nem sempre é um indicativo de que tudo vai bem na nossa estrutura.

O nosso corpo possui um sistema (Sistema Tónico Postural) que lhe permite buscar o equilíbrio em qualquer situação. Sempre que há uma alteração na nossa estrutura a tendência do nosso corpo é adaptar-se a essa alteração.

Os traumatismos produzem alterações na nossa estrutura, e de forma a se manter o equilíbrio, o nosso corpo adapta-se a essa alteração.

Vou dar vários exemplo:

  • Ao sofrermos uma entorse com uma certa gravidade, os ossos do tornozelo podem-se deslocar, e isso origina uma compensação a nível do joelho, e posteriormente a nível da anca. Embora o período em que doa possa ser relativamente curto, devido à inflamação nos ligamentos ir desaparecendo, com o passar do tempo se não se recolocarem os ossos do tornozelo no seu devido lugar, através do Sistema muscular e do tecido Conjuntivo, o joelho vai ficar afectado, e começará a doer. O mesmo acontecerá com a anca, e com toda a coluna.

  • Quando damos uma queda e batemos com uma anca, se for com a gravidade suficiente para deslocarmos a anca, o nosso corpo também se irá adaptar. O sacro e as vértebras da coluna lombar acompanharão o movimento da anca, o que originará que os nervos que saem da coluna possam ter o seu percurso obstruído. Da mesma forma que também o joelho poderá vir a ter as suas funções perturbadas. Novamente o período de dor pode ser relativamente curto, mas mais tarde além de perturbar as funções, a dor poderá ser bem mais activa.


  • Após uma criança bater com a cabeça, os ossos que compõem o crânio podem ficar desnivelados, e pode haver uma perturbação na circulação do liquido cefalorraquidiano (LCR), o que vai originar complicações no desenvolvimento da criança. Normalmente essas complicações são mais evidentes a nível da estrutura, quando a criança desenvolve o que se chama de escoliose idiopática - a coluna ao se desenvolver vai entortando. Consulte a publicação sobre escoliose para mais informações.

Dei estes três exemplos, mas muitos mais poderia ter dado, visto que o nosso corpo continuamente se vai moldando e adaptando a todos os impactos (estímulos) a que está sujeito. Muitas das vezes estas adaptações podem ser evitadas caso procuremos um profissional de Saúde qualificado para nos ajudar.

A minha recomendação é que após um traumatismo, quer doa muito ou doa pouco, a pessoa deve sempre tirar uma radiografia para verificar se houve fratura. Não sabemos a condição dos nossos ossos, se são débeis ou não, e até a intensidade da dor varia de pessoa para pessoa. Numa pessoa pode doer muito e não estar partido, enquanto em outra pode doer pouco e haver fratura. Por isso é sempre bom recorrer a um meio de diagnóstico que não deixe margem para dúvida.

No caso de estar partido o ortopedista é quem deverá indicar como se procederá ao tratamento. 

Em caso de não haver fratura, era bom consultar um osteopata para avaliar se houve alguma alteração no alinhamento ósseo e nas estruturas em volta, iniciando de seguida o tratamento adequado de forma a corrigir o problema e evitar que o corpo se adapte a este traumatismo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Gravidez

É uma ocasião espetacular na vida da mulher. Para o desenvolvimento de um novo ser, o corpo da mulher passa por inúmeras mudanças. Todos os Sistemas do corpo alteram o seu funcionamento, sendo o Sistema Endócrino um dos mais responsáveis por essas mudanças.

Nesta publicação vou-me centrar nas alterações posturais.

Há medida que o útero aumenta o tamanho, o feto vai-se desenvolvendo, e o perímetro abdominal fica cada vez maior. 
Isso provoca uma projeção das ancas para a frente e para o exterior, os membros inferiores ficam assim voltados para fora.
A curvatura lombar da coluna fica mais acentuada, ou seja vai mais para a frente, podendo por vezes notar-se uma pequena concavidade ao longo da coluna lombar. O osso sacro acompanha o movimento das lombares e também vai para a frente, enquanto o cóccix (ultimo osso da coluna) fica mais saliente - esta alteração é importante depois durante o parto.
Por sua vez a curvatura dorsal também acentua, não só para compensar este aumento da curvatura lombar, mas também porque o peso dos seios aumenta. Ficando por vezes os ombros mais caídos para a frente.
Em consequência a cabeça tem tendência a vir para trás, estando a curvatura cervical aumentada, permitindo um melhor equilíbrio na distribuição do peso corporal. Assim o peso do corpo já não é todo concentrado à frente.
Estas alterações são promovidas pelo tecido Conjuntivo e pelas Cadeias Musculares (é um tema que falarei em outra publicação).
E é claro que nem em todas as gestações ocorrem exactamente estas mudanças, isto é o que ocorre na grande maioria.




A estrutura tem que estar preparada para que estas alterações se possam processar, por que caso contrário o organismo pode não encontrar forma de seguir a gestação. Os abortos espontâneos ou os partos prematuros não acontecem por obra do acaso. Ocorrem quando o organismo não tem mais capacidade de seguir a gestação, e isso pode-se dar por inúmeros motivos, que podem ser desde alterações emocionais até desequilíbrios na estrutura que não permitem que o feto se continue a desenvolver.

Quando as ancas não estão corretamente alinhadas, quando há desequilíbrios na elasticidade muscular, quando os ligamentos estão demasiado tensos e não permitem movimentações nos ossos, tudo isto são situações que podem causar sérias dificuldades na gravidez. E mesmo até durante o parto podem haver complicações decorrentes do mesmo.

A altura ideal para se corrigir a estrutura é antes de engravidar. Contudo após a gravidez começar pode-se sempre ajudar, especialmente para alivio das dores. Pessoalmente pratico Osteopatia Estrutural só até ao 3º mês de gravidez. Daí em diante, uso outras técnicas como o Método Cyriax e a Massagem do Tecido Conjuntivo.

O objetivo é ajudar a que todas as alterações no corpo sejam experienciadas de forma mais atenuada, e contribuir para que toda a gestação seja vivida com maior deleite. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Osteopatia pode ser uma forma de Vida?

Não escolhi o nome deste blog ao acaso, a Osteopatia pode ser sim uma forma de Vida.

Conforme referi na primeira publicação (Osteopatia como forma de Vida!), o objetivo deste blog é mostrar as formas terapêuticas que detenho e como as interajo com a Osteopatia. Criando desta forma uma abordagem, não única, mas pouco usual da Osteopatia.

Quando falo que a Osteopatia pode ser uma forma de Vida, considero dois aspetos. Um deles é encarando a Osteopatia como Medicina à qual se deve recorrer em qualquer situação. 

O médico cirurgião Andrew Taylor Still foi o criador da Osteopatia, ele defendia que a estrutura governa função. Hoje em dia acredita-se que a estrutura e a função interagem mutuamente. Perante isto temos que, cada vez que existe uma disfunção no organismo, vai haver uma alteração na estrutura. Por isso em qualquer disfunção que a pessoa apresente, mais cedo ou mais tarde deve recorrer ao osteopata. Exemplificando, quer seja uma dor de dentes, estrabismo, acufenos, asma, obstipação, varizes, e a lista não teria fim. 

Todas estas são disfunções no organismo que muitas vezes são causadas por alterações na estrutura, ou então vêm a alterar a estrutura, e mais tarde podem ter consequências sérias. Na publicação Osteopatia Estrutural indiquei que a maior parte das vezes que a disfunção é recorrente, a origem do problema é na estrutura.

Não digo com isto que a pessoa não deva recorrer a outro profissional de Saúde para tratar estes problemas, deve recorrer sim, mas em simultâneo ou posteriormente, é aconselhável procurar um osteopata para que este lhe possa avaliar e corrigir a estrutura. 

Esta avaliação e correção da estrutura também deve ser feita, por exemplo, quando a pessoa muda de lentes de contacto ou óculos, quando vai começar a usar um aparelho auditivo, quando quer colocar um aparelho nos dentes, quando algum profissional de Saúde lhe diz que tem que começar a usar palmilhas (as palmilhas são um tema que mais tarde desenvolverei melhor em outra publicação). 

São todas situações que vão ter impacto sobre a estrutura e sobre o equilíbrio da pessoa, e se a estrutura já não está bem, provavelmente pior ficará. Assim como também deve ser feita uma avaliação após a pessoa começar a usar estes 'utensílios', para saber se realmente a estão a ajudar, ou a prejudicar. 

Focando-me nos óculos, muitas vezes não são os mais adequados, é verdade que a pessoa está a ver melhor, mas após os usar começou com desconforto no pescoço e dores na cabeça, talvez tenha que se fazer algum ajuste nos óculos.

O outro aspeto a que me refiro quando digo que a Osteopatia pode ser uma forma de Vida, é quando usada regularmente. Aqui podemos encontrar diferenças entre a Osteopatia que eu pratico e a praticada pela maior parte dos outros osteopatas.

A Osteopatia ao ser praticada regularmente permite-nos provocar mudanças profundas no corpo, completamente diferente de quando apenas se recoloca algum osso que esteja fora do lugar. 

Através da manipulação de todas as estruturas, é possível alterar a postura da pessoa, originando que todos os seus sistemas se aperfeiçoem.

Há certos tipos de problemas que levam tempo até serem corrigidos (hérnia de disco, escoliose, etc...), mas mesmo a pessoa estando relativamente bem, regra-geral pode ficar ainda melhor. 

Quando a nossa estrutura está corretamente alinhada, com mais facilidade o nosso corpo se equilibra, com mais facilidade se harmoniza com a lei da gravidade, e mais vigor (ânimo, força, capacidade) vai ter para as outras actividades e funções. 

É simples exemplificar isto, uma pessoa que tenha uma grande curvatura anterior na coluna dorsal (corcunda) é possível que se canse com mais facilidade e tenha menos ânimo, do que uma pessoa que tenha uma curvatura dorsal fisiológica (normal), porque o corpo tem que se esforçar mais para se manter em equilíbrio, acabando por ficar com menos vigor para as restantes actividades e funções. É verdade que este tema não é preto no branco, existem nuances a se levarem em consideração, mas uma coisa é certa, quando a estrutura está alinhada, todas as funções funcionam de modo melhor.

Eu promovo um culto ao corpo, recomendo cada pessoa a cuidar a sua estrutura ao máximo, e a fazer tratamentos regularmente. De forma a que, primeiro trate o seu problema, depois possa aperfeiçoar a sua postura, e por fim que se mantenha assim. 

Todos os dias estamos sujeitos a várias agressões ao nosso corpo, desde o trabalho, passando pelas nossas emoções, e terminando no inevitável envelhecimento, por isso convém que façamos alguma coisa para o cuidarmos.

sábado, 13 de julho de 2013

Porque tenho dores?

Esta é uma das perguntas que me fazem com frequência. Nesta publicação em vez de falar dos mecanismos químicos e biológicos que promovem as dores, vou falar da sua origem.

As dores são respostas que o organismo dá quando está sujeito a um estimulo nocivo. 

Um desses estímulos nocivos são as alterações na estrutura, e uma dessas alterações é provocada pelos traumatismos. Ou seja, após a pessoa fazer um traumatismo, uma das primeiras respostas do organismo é produzir dor, neste caso a origem da dor é o traumatismo.

Mas como já tinha referido na publicação Osteopatia Estrutural, existem outras causas para as alterações na estrutura. Uma dessas outras causas é o Sistema Tónico Postural.

A nossa postura é definida pelo Sistema Tónico Postural, cujo um dos objetivos é manter-nos em equilíbrio, tanto estático como dinâmico. O Sistema Tónico Postural reúne informação interna e externa para poder estabelecer a nossa postura. Parte dessa informação é captada através dos chamados recetores, e alguns desses recetores são os olhos e os pés. Temos também a boca, que não sendo um verdadeiro recetor, tem igual importância para o estabelecimento da nossa postura.




Cada vez que existe uma disfunção num desses recetores, a nossa postura é alterada, mas isso não significa que não estejamos em equilíbrio. No nosso corpo existe, o que lhe vou chamar como, a lei da compensação. O nosso corpo promove alterações na estrutura para compensar qualquer disfunção, e desta forma poder manter o equilíbrio. Este é um processo que não ocorre de um dia para o outro, demora o seu tempo.

Por exemplo, ao termos uma disfunção num olho (poderá ser um dos músculos extra-oculares com um problema de inervação motora), vai-se originar uma alteração na postura, e para podermos manter o equilíbrio, o nosso corpo vai compensar alterando a estrutura. Um dos ombros vai ficar mais baixo e o mesmo acontecerá com a anca do lado correspondente, regra geral é isto que acontece quando há uma disfunção em um dos olhos. Também haverá toda uma alteração a nível das vértebras da coluna, e mais cedo ou mais tarde vão-se originar inflamações, por sua vez aparecerá um dos sintomas da inflamação que são precisamente as dores. Todas estas alterações são, em parte, promovidas pelo tecido Conetivo. Neste caso, independentemente do local onde tiver dor, a origem vai ser a disfunção no olho.

Normalmente a maior parte das alterações na estrutura são produzidas precisamente pelo Sistema Tónico Postural, de forma a compensar qualquer disfunção em um dos recetores. O nosso corpo também compensa traumatismos que fazemos e que não ficam bem tratados, embora nos deixem de doer.

Estas noções que apresentei aqui baseiam-se em Posturologia, ciência (ou terapêutica) que costumo usar como avaliação de forma a detetar eficientemente a origem do problema.


Ver também: Envelhecimento; Causas de Dores; Cicatrizes.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Tecido Conjuntivo

Este é um tema assíduo nos sites dedicados à Medicina Manual, o que só por si já demonstra a sua importância.

O tecido Conjuntivo é apelidado de diversos nomes e subdividido em vários tipos e camadas, de acordo com diferentes autores e especialistas, sendo comum usar-se o nome Fáscia (a palavra Fáscia também pode ser usada com outra designação) ou tecido Conetivo para se referir ao mesmo tipo de tecido. Usarei apenas o termo tecido Conjuntivo referindo-me a esse tecido como um todo.

O tecido Conjuntivo difunde-se pelo corpo preenchendo os espaços entre todas as estruturas - recobre músculos, tendões, ossos, artérias, terminações nervosas, vísceras, etc... Formando assim uma única rede ao longo do corpo. E é essencial perceber que o tecido Conjuntivo é todo o mesmo, não há vários tecidos Conjuntivos. Quanto temos uma lesão num músculo, a lesão é localizada só nesse músculo, e poderá não afectar as outras centenas de músculos, que estarão a funcionar correctamente. Agora ao haver uma lesão no tecido Conjuntivo, em qualquer que seja a parte, nunca será uma lesão localizada, irá sempre ter repercussões por todo o corpo, uma vez que o mesmo tecido se espalha por todo o corpo.




Entre várias funções metabólicas, o tecido Conjuntivo tem a função de suportar todas as estruturas do corpo, mantendo-as unidas e nas suas posições. É apelidado por alguns autores como o 'órgão da estrutura', sendo o responsável pela execução de todos os movimentos do corpo, acabando por definir a nossa postura no espaço.

O tecido Conjuntivo tem um certo grau de elasticidade, mas quando essa elasticidade se perde, todo o tecido começa a ser repuxado, e com ele vêm todas as estruturas que lhe estão aderidas.

São vários os motivos que podem levar a que isso aconteça. Cada vez que há uma lesão em uma das estruturas cobertas pelo tecido Conjuntivo, o tecido Conjuntivo em volta vai ficar denso e perderá elasticidade, sendo as suas funções perturbadas. 
Da mesma maneira que quando há uma alteração nas funções metabólicas do Tecido Conjuntivo (por exemplo, devido a alguma alteração hormonal), vamos ter uma disfunção nas estruturas que lhe estão cobertas.

Exemplificando, quando o fígado está congestionado durante muito tempo, é comum a pessoa começar a sentir dor no ombro direito, e deve-se precisamente ao tecido Conjuntivo que foi perdendo a sua elasticidade e repuxou, causando tensão no ombro. Agora não é inteligente tratar apenas o ombro, é preciso também tratar o fígado e o tecido Conjuntivo.
Outro exemplo são as cicatrizes que também podem causar alterações no tecido Conjuntivo.

Uma técnica que uso para tratar o tecido Conjuntivo é a MTC - Massagem do Tecido Conjuntivo. Permite avaliar os locais onde o tecido Conjuntivo está denso, e qual a origem dessa alteração. Após a avaliação, procede-se ao desbloqueamento dessas zonas mais densas, devolvendo a elasticidade ao tecido Conjuntivo, e restaurando as suas funções.


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Método Cyriax

É mais um método que uso com regularidade nas consultas. Tem outras designações como Método Benjamin ou Fricção Transversa Profunda.

Foi desenvolvido por James Cyriax, e o seu aluno Ben Benjamin tornou este método amplamente conhecido. A minha formação neste método foi feita com Angel Gil Estevez, que por sua vez aprendeu diretamente de Ben Benjamin. Ou seja, a forma como eu o aplico é pura.

Está indicado para lesões nos tecidos moles (músculos, ligamentos, tendões, tecido conjuntivo), especialmente em casos de ruturas parciais.

Conforme uma das designações deste método sugere, é um movimento que é aplicado no sentido transversal ao das fibras lesionadas. Daqui podemos depreender os conhecimentos anatómicos que são precisos para a sua correta execução.

Vou usar como exemplo o caso de uma rutura parcial num ligamento, como é tão comum em entorse do tornozelo.

Quando se rompe um ligamento o corpo desencadeia uma série de mecanismos (principalmente químicos) que visam a recuperação do tecido lesionado, esses mecanismos terminam com a formação de novas fibras que irão ocupar o lugar das anteriores.
Mas acontece que a formação das novas fibras é feita de forma anárquica se existir repouso excessivo do ligamento lesionado (este repouso pode dever-se à imobilização da articulação, ou por a pessoa deixar de fazer determinado movimento porque lhe dá dor). 
A formação anárquica não só aumenta o tempo de recuperação, como também irá formar as chamadas "aderências" que, conforme o nome indica, são fibras em excesso que unem os tecidos uns aos outros, e neste exemplo em concreto, aderem o ligamento ao osso fora do seu ponto de inserção. As aderências além de provocarem limitação no movimento, podem originar dor crónica.

Lamentavelmente assiste-se muitas vezes a imobilizações totalmente desnecessárias e que só atrasam o processo de recuperação, recuperação essa que muitas vezes acaba por ser incompleta.

Quantas vezes ouvimos dizer que após ter feito "aquela" entorse o tornozelo nunca mais voltou a ser o mesmo, ficou limitado em certa posição, tendo dor em determinado tipo de movimento?

Ao ser aplicado o método Cyriax, a formação de novas fibras será feita no sentido correto e impedirá que se desenvolvam aderências. Ou seja, a recuperação da lesão será muito mais rápida e não trará limitações futuras, mantendo os tecidos a sua mobilidade.

Este método é tão eficaz em lesões agudas como crónicas, precedido sempre por uma rigorosa avaliação.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Quiromassagem

Vulgarmente denominada como massagem, dispensa grandes apresentações. 

Consiste em várias técnicas manuais aplicadas directamente sobre os músculos, sendo a palpação usada como avaliação, e para tratamento usam-se fricções, amassamentos, pressões, vibrações, percussões.

A Quiromassagem produz um aumento local do fluxo sanguíneo e linfático, que vai resultar num melhor metabolismo e consequente aumento local da temperatura.
Uma das causas dos ossos e cartilagens começarem a degenerar (artrose) é precisamente por não estar a haver um correto metabolismo na articulação implicada, através de várias técnicas de massagem é possível melhorar o metabolismo e parar a degeneração.

Na minha prática uso a Quiromassagem para descontrair os músculos que se encontram mais contraídos, eliminando as contraturas musculares (trigger points). Também é possível tonificar músculos que se encontram débeis e que muitas vezes já não são capazes de cumprir a sua função, e ainda recuperar fibras musculares lesionadas.

Varias vezes têm aparecido casos de lesões musculares em que a Osteopatia só por si em nada poderia ajudar, tendo que recorrer à Quiromassagem para tratar esse tipo de lesão. 
Outras vezes a Quiromassagem é um complemento que vai enriquecer o tratamento osteopático.


sexta-feira, 29 de março de 2013

Osteopatia Estrutural

Atualmente a Osteopatia é composta por 3 especialidades:

Osteopatia Estrutural;
Osteopatia Craniana;
Osteopatia Visceral.

A base do meu trabalho é a Osteopatia Estrutural e vai ser sobre ela que me vou inclinar.

Para conseguirmos perceber o funcionamento da Osteopatia devemos ter uma visão do corpo humano como sendo um todo. Uma única unidade em que não é possível dissociar os seus diferentes Sistemas uns dos outros, e onde uma alteração num Sistema vai ter repercussões sobre os demais. 

Assim a estrutura vai interagir com a função, ou seja, uma alteração na estrutura corporal vai alterar o funcionamento do organismo.

Todas as estruturas do corpo têm a sua própria mobilidade. Cada vez que essa mobilidade é bloqueada considera-se que há uma alteração na estrutura. Uma das causas de alterações na estrutura são os traumatismos, contudo existem outras causas mais frequentes.

O Sistema Nervoso é um dos responsáveis pela interacção que existe entre a estrutura e a função. O cérebro envia informação sobre as funções do organismo através de impulsos nervosos que percorrem o tecido nervoso distribuído pelo corpo. 
Cada vez que há uma obstrução nesse percurso, o nervo fica inflamado, e a função é prejudicada. Essa obstrução pode ser provocada pela estrutura, e mais frequentemente ocorre ao nível da coluna vertebral.


A coluna vertebral abriga a medula espinal que é a principal via de comunicação do Sistema Nervoso. Entre cada vértebra da coluna existem duas aberturas por onde passam os nervos espinais, vindos da medula, que depois se ramificam e transmitem os impulsos nervosos a todas as partes do organismo. Ao haver um bloqueio numa vértebra, uma dessas aberturas pode-se fechar e vai originar uma obstrução no percurso do impulso nervoso, que posteriormente se vai reflectir sobre a função correspondente.

Posso exemplificar com o caso de uma pessoa que sofre de gastrite (inflamação no estômago). A gastrite pode ter distintas causas e apresenta vários sintomas, que normalmente desaparecem após a pessoa ser tratada com fármacos. Contudo se passado umas semanas ou meses voltam a aparecer os sintomas, voltando-se a recorrer ao uso de fármacos, e o ciclo repete-se vez após vez, podemos muito bem estar perante um mau abastecimento neurológico. Ou seja, há uma obstrução no percurso do impulso nervoso, provocando uma inflamação nervosa, que vai desencadear um mau funcionamento do estômago. 
Cabe ao osteopata fazer uma avaliação e detetar se há alguma alteração na estrutura que possa estar a provocar a obstrução, muitas das vezes quando o estômago é o afetado corresponde à vértebra Dorsal 6. Pode estar bloqueada obstruindo a abertura por onde passa o nervo espinal, e assim a informação enviada do cérebro não está a chegar corretamente até ao estômago.

A cultura que existe em Portugal é de recorrer ao osteopata quando há dores nas articulações, contudo o trabalho do osteopata pode estender-se, e muito, para além das dores nas articulações. Pois a dor nada mais é do que um sintoma de inflamação, e a inflamação pode ter várias manifestações e origens. Exemplificando, uma vértebra da coluna ao ter a sua mobilidade bloqueada origina inflamação em diferentes estruturas (em cima vimos o exemplo de inflamação nervosa). O osteopata faz uma avaliação para descobrir a causa primária dessa inflamação, e se realmente foi provocada por essa vértebra bloqueada faz-se a correção, não havendo mais motivo para a inflamação se manter. Demora algum tempo até a inflamação desaparecer completamente, dependendo da estrutura inflamada e do tempo que esteve assim. Todas as estruturas inflamadas devido à sub-luxação dessa vértebra restabelecerão o seu normal funcionamento.

A Osteopatia Estrutural é aplicada directamente sobre ossos, músculos e fáscia. Dispondo de uma série de testes manuais para identificar as estruturas bloqueadas, serve como avaliação e tratamento.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Osteopatia como forma de Vida!

Vou fazer deste espaço um espelho da minha abordagem à Osteopatia!

Desde cedo me dei conta de que quanto maior fosse o meu conhecimento mais pessoas podia ajudar, e das mais variadas maneiras, podendo optar pela forma que melhor se adapte-se a cada caso. Então escolhi continuar os meus estudos para além da Osteopatia, o que me permitiu ficar com uma visão ainda mais abrangente e profunda da Saúde, ao mesmo tempo que o meu conceito de Osteopatia foi enriquecido.

Para se poder fazer uma correta apreciação é muito importante definir conceitos, e esse vai ser precisamente um dos meus objectivos.

A Osteopatia também é chamada de Medicina Manual Manipulativa. O conceito de 'medicina manual' pode ser aplicado a qualquer área do conhecimento que tenha como objetivo a restauração e a manutenção do bem estar humano, tendo como único meio o contato manual.

Contudo o conceito 'medicina manual' é pouco explorado em Portugal. Uma vez que a palavra 'medicina' está associada ao exercício médico legalmente reconhecido, e como no nosso país a Osteopatia não tem o nível de reconhecimento legal que tem em outros países, usasse a palavra 'terapia' (ou terapêutica) para classificar a Osteopatia. É assim considerada uma terapêutica complementar da medicina convencional, sendo em certos casos uma terapêutica alternativa à medicina convencional.

São variadas as formas terapêuticas que uso e todas elas têm em comum serem praticadas apenas com as mãos, não recorrendo a qualquer tipo de utensílio. Ao longo do tempo irei expor todas elas, e a forma como interajo umas com as outras, usando-as como avaliação ou como tratamento.


Bem vindos!