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domingo, 6 de setembro de 2015

Fibromialgia

Ainda há pessoas que dizem só acreditar naquilo que vêm. Para essas há cerca de 200 mil embustes em Portugal, são o numero de pessoas diagnosticadas com fibromialgia.


A fibromialgia é uma síndrome, não tem causa conhecida (ou pelo menos consensual), não existe um conjunto de sintomas específicos que a permitem identificar peremptoriamente, nem sequer é possível descrever as suas consequências anatómicas. Não é possível vê-la em qualquer tipo de exame, e as análises não podem ser consideradas conclusivas, pois muitas das alterações analíticas encontradas em pessoas com fibromialgia, são as mesmas encontradas em pessoas com outras síndromes e doenças.

Isto leva-nos à pergunta, será que existe mesmo a fibromialgia?

Qualquer pessoa diagnosticada com fibromialgia, assim como qualquer familiar, não tem a mínima dúvida disso. Sentem as dores, as limitações, assim como a persistência dos mesmos, dia após dia, mês após mês, ano após ano...

Se a fibromialgia existe porque se sente, mas não se vê, como é possível defini-la, diagnostica-la, e trata-la?

Foi delineado no meio médico que qualquer pessoa que apresente um determinado numero de pontos dolorosos específicos, assim como tenha dor generalizada há mais de 3 meses (dor crónica), e apresente outros sintomas classificados como secundários (cansaço, alterações cognitivas, etc), seja diagnosticada com fibromialgia. É claro que deveriam ser realizados previamente exames e análises para despistar outros tipos de doenças e síndromes.

Podemos dizer que qualquer pessoa que tenha dor generalizada no corpo, cuja a causa não seja conhecida pela medicina convencional, e os sintomas prevaleçam por mais de 3 meses, tem fibromialgia.

Há quem defenda que a fibromialgia é uma alteração no sistema nervoso e endócrino que faz com que o cérebro interprete sinais de dor erroneamente. Contudo, até à data, ainda não se verificou isso através de qualquer tipo de análise ou exame.

Também vem muitas vezes associada a alterações emocionais. A medicina convencional ainda está na dúvida se as dores persistentes originam alterações emocionais, ou se pelo contrário, são as alterações emocionais que originam dores persistentes. 

E quanto ao tratamento? Ora bem, se estamos a falar de uma síndrome, que não se sabe a origem, o que há a fazer é tratar a sintomatologia. Aqui em Portugal o mais frequente é o uso de fármacos anti-inflamatórios, relaxantes, anti-depressivos, etc. Creio que não é preciso referir os efeitos secundários desse tipo de medicação quando tomada continuamente por cerca de três semanas, agora imaginemos tomar este tipo de medicação ao longo de vários anos... Este tipo de medicação acaba por contribuir para a cronicidade da fibromialgia, pois intoxica o organismo a longo prazo, tornando cada vez mais difícil a sua recuperação. Se por um lado pode ajudar a melhor a sintomatologia, ainda que a grande maioria das vezes deficientemente, por outro lado prejudica as funções de diversos sistemas.

Qual é então a alternativa?
A alternativa é um tratamento multidisciplinar. Já referi várias vezes aqui no blog que a saúde é definida por diversas variáveis, e trabalhando sobre elas é sempre possível melhorar a sintomatologia.

Com Posturologia pode se encontrar a causa dos desequilíbrios estruturais procurando se há algum elemento que define a postura em disfunção. Verifica-se também a origem de cada ponto de dor separadamente: se é dor reflexa ou localizada, se tem lesões antecedentes no local de dor que possam não ter sido devidamente tratadas, etc...

Só após se encontrar a causa é que se poderá definir um tratamento, que pode passar por sessões de osteopatia, algum tipo de exercício físico, pode ser necessário alterar a alimentação e os hábitos. 
Poderá ter de ser encaminhada para outro profissional de saúde como um psicólogo, ou podólogo, etc... Até poderá ser necessário tratar-se simultaneamente com vários profissionais.

Infelizmente a grande maioria das terapêuticas que referi aqui, e que são as que mais resultados têm dado nos doentes diagnosticados com fibromialgia, não vêm previstas no Sistema Nacional de Saúde. Sistema este que continua a privilegiar o uso de fármacos com incidência na sintomatologia, e enquanto assim for vamos ter muitas doenças classificadas como crónicas e incuráveis.